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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

tempo... animal trinitário

ontem,
quando eu quis,
aranha,
te tecer,
faltou
um fio de vontade
dentro de mim.

teci meia trama;
frágil
para servir-te
de cama.

hoje,
quando eu fui,
verme,
te purar,
faltou pus em minha garganta
para a tua saliva
engolir.

escarrei meio grama
de um pus amarelo
com sabor de patê.

amanhã,
quando eu for,
cachorro,
fiel contigo,
talvez...
quem sabe
não existam mais
caninos em minha boca.

morderei,
banguela,
a tua canela.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

leva-e-traz

leva

minha roupa suja

traz

tua roupa limpa

leva

minha alma limpa

traz

tua vida suja.

leva

a pá,

traz

a vassoura.

me leva.

te trago

aceso.

te trago

apagado.

trago seco.


leva leve tua sandália

desamarrada.

traz pesado meu cadarço

preso.

hortelã

cominho

pimenta-do-reino

nóz-moscada

curie

alho

cebola

sal

"sazon"


pão ázimo.


leva-me

traga-me


ervas amargas sem cordeiro.

pipoca sem sal.

sorvete sem cobertura.

traz

vai

ida-e-volta.


comprei, ontem,

tua passagem para Itajaí.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

o quê do que?

o quê que sobra?

o quê que fica ?

o quê que se ouve?

o quê que se faz?

o quê que se diz?

o quê que eu fiz?

o quê do cadê?

o quê do quê?


o quê que sobra?

um pedaço de torta de limão.

o quê que fica ?

um fundo de sorvete derretido na casquinha.

o quê que se ouve?

"ai, ai, se eu te pego (...)".

o quê que se faz?

filhos sem pai.

o quê que se diz?

"filho da puta"!


o quê que eu fiz?

o museu do agora.

o quê do cadê?

quadrado.

o quê do quê?

redondo.


o quê?

onde?

quando?

quê?


o quê que sobra?

o quê que fica ?

o quê que se ouve?

o quê que se faz?

o quê que se diz?

o quê que eu fiz?

o quê do cadê?

o quê do quê?


o quê que foi?

o quê que pegou?

nada a dizer.

nada fazer,

que o quê do que

já não disse

e fez.

hoje:

tudo de novo outra vez !

quê?!

quase não sobra nada... eddie

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

não genital

fui fundo.

cheguei raso.

corri profundo.

parei enérgico.


fui fundo na publicidade

do desejo cultural.

cheguei raso na maturidade

industrial.

corri profundo na materialidade

celestial.

parei enérgico no desejo

de uma amizade espiritual.


quiz deus.

ele me quiz.

nos traímos.


o afeto anda fora de moda.

a guerra é a última tendência.

a paz está "demodê".


cheguei raso.

fui fundo.

corri profundo.

parei enérgico na mágica

realização imediata

de um desejo.


do pensamento me libero

quando gozo

quando existo

quando durmo.


consumo

quando sonho felicidades

irrealizáveis.

felicidade imediata.

onde está?

na clausura?

na rua?

num copo sujo de vinho quebrado em baixo da cama?

num café amargo

coado num coador de pano cheirando baratas?

num cigarro aceso?

(...)

apagado?


consagrei

meu amor inibido.

sem genitália.


mamífero.

amor mamífero.

leite (...)

"nescauetody"

mamífero que sou

faço

asso

morno

numa caverna que,

por uma fresta de "rock"

me liga.

me acende.

faíscando meu animal.


faíscando eu

animal genital.

"madona" divinal.

"amy" sacral.

"foucault" espiritual.

"genet" piedoso.


oh! virgens... onde estão?

puras e santas

onde vão ?

positivo negativo.


positivo amor.

amigo sou-te.

(...)

sem troco nenhum.

apenas



algum.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

na clausura

(...)




um silêncio

dois silêncios

três silêncios

(...)



psiu...



assim

vazio

de  

sons vocais.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

desmaio e findo em onomatopéias

bem-te-vi ...

bem-me-quer ...

malmequeres

por tanto

desquerer-te

bem-te-vi

de tanto

cozer contigo

bem-me-quiz

por tudo

que te fiz

boto-fora     ... (e rasgo)

o que me destes

leva e traz

o que consigo

fica           ... (desenhos)


pisca - piscas

tico  - ticos

ploc - plocs

(...)

tique - taques

parassintetismo do querer-te

abunda

almada de luz

tristecer

a cabeça em dor

noitecer

pela manhã já morta

anoitinha

desalmar o pai

atardinha

entristecer a mãe

denoitinha

te abraçar

sal

chupo manga

verde

dobro a manga

doce

verga a alma

dura

da camisa

sem gola

quinta feira

pura

santa

me degola

sal grosso

agora

sábado, 26 de novembro de 2011

código de posturas de 1905

Art. 45


"...é proíbido fazer barulhos, algazarras e dar gritos durante

a noite, além de fazer-se sambas, Catiretes, ou outros

quaesquer brinquedos que produzam estrondo ou vozeria

dentro da Villa ..."


POBRE VILLA DO SANTO ANTONIO DO CAMPO GRANDE

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ser e ainda nada por ser

ser
e ainda nada ser por nada
estar e ainda
por vir a ser
então
tomando fanta 
quanta uva
manta de lã
touca de luz na cabeça
neon
fluorescente


ser então 
por que
para que
de onde
perguntas
questões em mente frente única
calcinhas em mente
verso 
nu
verso
nu
verso


todo dia impuro
casa de santo barroco
inútil
mente
crente
ente
por vir a ser
descrente
em tudo o que o amor desmente


eu não sabia
que o saber mente
quando
frente a frente
tente
com
você nova
mente
mente
mentiras puras
e suspira verdades
caladas


ser o 
nada
ser


ser o nada 


ser ou nada


tudo ainda por vir
futuro
luminoso
novo
controverso
contra luz
contra tudo
a favor de noivas
puras
e brancas
sem véus nem manhas
só calcinha
branquinha


umas puras
outras vivas
noutras
flores sem espinhos


vigilante
a postos
sentido
soldado aranha
capitão piranha
numa ilha
vazia de gente
vazia no mundo
vazo
vazante
vasectomia
livre de si
por si só
vasodilatante
vaso
raso
passo a passo
a traz
adiante
nascer
correr
beber e vomitar
o seu futuro
metafísico


ontologia
da fuga


metafísica do
recém chegado


dialética
do inútil


filosofia
amiga da dor primata
consciência de inábeis cores
assassina
de amores


hermenêutica
de mim


ciência
de você


pragmático
instantâneo
instantinho

por
mim.







quinta-feira, 6 de outubro de 2011

perturbado alaranjado

brincar até o mundo acabar
sorrir até o mundo parir
esquecer até me lembrar
andar até que ronde 
pulsar até que morra
morrer até que nasça
nascer até que engasgue
comer até que tenha fome
fingir até que pareça sério
correr até que cansado, sente
beijar até que molhado, se seque
arroz até que feijão em alho queimado


piscina mesmo em dia cinza
pão mofo
até que mãos toquem
toquem os sinos
toquem as maçãs
toquem os joelhos
troquem o dinheiro
quero troco
até seu moço
até seu dia
até um dia


até que fique carne no pescoço
até que 
eu
vivo
morto
encare teu rosto
sem dó
nem 
medo
em frangalhos
desossado de uma mente pura
e nutra
por ti
ainda que sem ti
mas 
todavia longe
distante
de toda atenção 
sofrida
diluída em dias
gastos
no pasto
eu coma
eu chupe
eu beba
eu mate
coma eu
chupe eu
mate eu
mate leão de erva preta
chupe bala doce com corante azul escarlate
beba cruel teu leitinho
como mansinho teu macarrão instantâneo
em dias
passados assim
enfim
passados


de longe 
nem o cheiro
de longe nem os passos
me levam de volta de onde eu vim
nem você
monstro manso interior
desperta em 
antártica gelada
me lava 


pra terra do desamor
não volto
não me levem


me queimo ao pensar
vítima do desassossego 
sossego ao lembrar
passos no escuro
escureço ao pensar
laranja
laranjado
perturbado
perturbado alaranjado
paulado