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domingo, 2 de outubro de 2011

exú tranca ruas das almas


lama


juizo final - nelson cavaquinho 1973


nós os mesmos



ensimesmados
mamando na teta da vaca mãe
sob o mesmo giral
em que ela pariu
belzebus
desnutridos.


serpentes
voadoras
dançando enroscadas
em guarda-chuvas abertos
translúcidos
em dias que a chuva não cai
não molha
não verte
não teima
sua aventura




arrastar-se
serpenteando
cruel
devoradora
em cima de carne morta


isso assim
meigo
humano e doce
carnificina


devoras carne podre
burguês pobre
sem conta no banco
a espera de algum trocado


"...pra dar garantia"


a crueldade lhe cai bem
combina com seus olhos 
orna com tua boca
respira fundo
tudo
indo


deveras humano
fraco
tardio em febre
cospe saladas doces


ovos e mel


não preciso nem ovos
nem mel


mato minha fome com formigas
vivas
entram em mim vivinhas
caminham dentro
em fila
carregando nódulos
bolas de sangue


prefiro crianças malvadas
matam formigas.









você.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ou ainda um pouco pior


vou torturar você hoje
para aliviar
minha
culpa.


tua 
vida
escancarada numa
lupa.


aumentar seus vícios
agigantar teus erros
maximizar tua cena
quebrar a tua cara.


(o futuro corrigiu este último verso) 


engolir tuas 
risadas
mastigar tua
loucura.


tudo isso
para esquecer de mim
em você.


a lua apagou.


risadas sonoras
ecoam da
selva.


é noite em meu coração.




(escrito amargo em nove de setembro de dois mil e dez )

calcinha preta


dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?


mamãe vou levar você para pescar no rio miranda


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

os teus não estavam lá




sei das tuas manhas
sei de mim
menos do que sabia
um dia
do mundo inteiro




sei das tuas sanhas
daninhas
em vida agreste
sereno leste
oeste
bodoquena




sei dos teus medos
que me assustam
e encorajam
os livreiros
sujos
dum mundo em
ácaros
de livros não lidos
estantes
vazias


sei dos teus pelos
menos do que devia
puro êxtase
de quatro
em atos
dois em cena


sei de globos
que giram
giram
giram
giram
fracos
em espalhar
luzes
cruzes
cores
tremores
num teto
sobre nós redondos


(... não pise no chão .)


sei dos teus pés
por onde andam?
não sei mais
dos teus passos
por onde pisam?
por aí
aquidauana.


sei que agora
sabes também
dos medos meus
dos sumiços meus
dos desamores meus
tudo dentro
fundo
cara no chão da praça
vejo pés
muitos pés que passam na altura do meu nariz


os teus não estavam lá.