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sábado, 10 de setembro de 2011

na esquina ou a rede de amores baratos

Na esquina do supermercado com o parque. Um acidente de trânsito. Nenhuma vítima fatal. Um tumulto matinal se formou. Mas isso não nos interessa. 
Enquanto isso, lá dentro do supermercado...
Ela, a caixa do supermercado, passou a compra, mas, não registrou todos os itens. O que deu uma singela diferença de R$ 54,00; exatamente o que precisava para comprar a tintura “louro claro” que a deixa tão mais linda do que já é. Assim, é o que diz todos os dias, ao seu espelho trincado, logo pela manhã, com a boca ainda cheia de espuma branca do creme dental. O espelho não diz nada. Só reflete. Mas parece não concordar muito com a caixa do supermercado.
Ela passa o dia todo somando e registrando os preços dos produtos consumidos, desenfreadamente, pelos clientes que se jogam nas gôndolas brincando o rito do comprar. As gôndolas são grandes, coloridas e variadas. Já, nos contêineres, que também são grandes, não há variação dentro dele. É espaço exclusivo de um só produto. Era isso que a Loren queria ser para o Alberto: um contêiner. Mas quando ela se lembra do Alberto, mais se sente numa gôndola, cercada de concorrentes vestidas em embalagens mais atraentes.
O Alberto é encarregado do setor de estoque e, segundo a Loren, o homem mais “gianecchini” que ela já conheceu. O cara é perfeito e a Loren suspira a cada olhar que o Alberto lança sobre ela. A Loren diz que o Alberto é muito respeitado e admirado  na rede de supermercados “amorbarato” e, que os seus subordinados o adoram. Também, quem não adora o Alberto? Só deve ser louco.
__ “Desculpe querida, mas você não entregou o meu troco.”
__ “Ah! Desculpe-me senhora. Que desatenção a minha. Aqui está seu troco. Três reais e vinte e cinco centavos.”
__ “Obrigada.”
O dia mal havia começado e a Loren sentia que este, ia ser diferente. No ônibus que utiliza todos os dias para chegar ao trabalho, notou que as “caras” de sempre, naquele horário, estavam mais alegres e menos embrutecidas como era de costume. Loren teve certeza de que este era um sinal de que a ela estava reservada a melhor surpresa do dia. Até o café que tomou no trabalho, às sete horas e quinze minutos, estava mais gostosinho. Gosto de café mesmo. Você sabe como é.
Alberto também pensava muitas coisas a respeito da Loren. Mulher. Bonita. A pele morena, mas, os cabelos eram loiros. Trabalha na rede há quatro anos. Nunca se ouviu falar de um namorado da Loren, ainda que sua barriga gostosa e peitos grandes acenem uma maternidade cansada.
Alberto, que pensou isso tudo tomando o mesmo café gostosinho saboreado mais cedo pela Loren, decidiu convidá-la para almoçarem juntos no restaurante da Sônia, que serve um prato feito caprichado e bem servido, a custo só de quatro reais.
__ “Ah Alberto, que pena. Hoje eu trouxe minha marmita com um guisadinho de carne com mandioca delicioso que eu fiz ontem pras crianças. Você não gostaria de dividi-lo comigo?”
__ “Claro. Seria ótimo. Onde comemos então?”
__ “Podíamos ir até o parque da esquina.”
__ “Combinado. Onze horas eu já estou batendo o meu cartão. Te espero no relógio do cartão de ponto.”
  Loren não confessou, mas sabemos, sentiu um frio na espinha, daqueles, ao perceber as calças justas, do encarregado, a marcar-lhe as cochas.
__ “Ai!” Sempre que fazia uma cagada, Loren se dava um beliscão. Foi o que acabou de fazer __ “Burra!”. Pensou: o Alberto me convidou pra almoçar com ele e eu ofereço a minha marmita? Que burra. Estraguei a oportunidade. Mas também, se ele aceitou, vai ver gosta de guisadinho de carne com mandioca. Sem falar que a comida da Sônia, segundo meus colegas me contaram é horrível. Desaborizada. Será que ele notou a raiz preta do meu cabelo? Agora não da mais tempo de pintar antes das onze horas. E mesmo que desse tempo, como aplicaria a tintura aqui no supermercado?
Passou Loren a manhã toda pensando, dialeticamente, ora a raiz preta do cabelo; ora o guisadinho de carne com mandioca na marmita.
O dilema de Loren se resolveu foi na marmita mesmo. A raiz do cabelo, preta continuou. Loren apostou todas as suas fichas no seu tempero e carregou orgulhosa e confiante, a sua marmita.
Aquela manhã passou lenta, arrastada e pesada. Mas para Loren foi como um longo dia de pagamento de salários, daqueles em que os supermercados lotam de compradores, que não acabasse. Ainda assim, com muita esperança, pois, finalmente teria a chance de estar junto do Alberto.
O Parque muito arborizado oferecia várias sombras aos visitantes. A caixa e o encarregado sabiam que tinham escolhido a melhor.
Loren foi sedutora. Alberto já achava isso. Mas ao vê-la desamarrando o pano de prato que envolvia a marmita, com mãos lindas e marcadas, seu entusiasmo se agigantou nas calças despudoradamente. Os peitos de Loren, no decote pouco confortável, favoreceram e estimularam o apetite do Alberto. O cheiro era muito bom. Alberto serviu refrigerante para Loren e esta ofereceu o talher para que Alberto desse a primeira garfada.
Comeram ali sentados na grama, a sombra de um ipê amarelo, atrevido e florido, todo o guisadinho. Entre uma garfada e outra, só mastigação  e olhares. Nenhuma palavra [nenhum queria fazer feio falando de boca cheia e, para não arriscarem o encontro, mantiveram-se calados]. Mastigavam-se naquele guisadinho de carne com mandioca. Nada, absolutamente, diziam um ao outro. O som que se ouvia era som de parque e som de mastigação. O som da mastigação, sabemos, é baixo. Para dentro. O som do parque é barulho urbano, das ruas e é grave.
Partilharam a marmita, a fome, o relógio de ponto. Partilharam a sombra e os ruídos do parque. Partilharam o ar e o olhar.
Alberto agradeceu a Loren que lhe respondeu com um sorriso futuroso.
O encontro, na esquina, acabou.
Uma tarde de trabalho. Ônibus, superlotado, no mesmo horário pra voltar para o conforto do lar. Em casa [cada um na sua], o banho. Depois, a Loren abre a embalagem de tintura para cabelo, feliz e realizada e, some com a raiz preta do seu cabelo loiro. Faz o serviço com habilidade profissional. Mela-se toda num orgasmo louro-claro. A marca eu não conto. Não vou fazer propaganda gratuita para o produto.
O Alberto, quando sai do banho, maternalmente esponjado por sua mãe deixa atrás de si, na banheira, uma água suja e também, esporrada e pede com voz doce e infantil para ela fazer guisado de mandioca com carne, que ele ta morrendo de fome.
Nenhum dos dois, caixa e encarregado, morreram de amor.
Um encontro não muda a vida de ninguém.
Amanhã, às sete horas, o supermercado “amorbarato” abrirá normalmente.







réquiem de amores vãos que a dor de sangue, escorrendo em rios, resume

Desta vez estava disposto a entregar-se, por inteiro, a nova possibilidade que se mostrava a sua frente. Sentia que era sua última chance de recuperar suas asas e voltar a sonhar sua vida de anjo.
Não estava amedrontado; tão pouco, angustiado. Seu sangue, diferente das situações anteriormente semelhantes a esta, movia-se como água calma em noite de mar tranqüilo. Apesar da aparente calmaria seu coração pulsava dizendo que era chegada a hora de se entregar. Sentia isso e, doravante tendo sentido a mesma coisa muitas outras vezes, sabia que, desta, era pra valer. Não duvidava. Mas o preocupava o fato de estar tão pouco preocupado. Ia se entregando aos poucos. Não. Aos muitos e muitos segundos passados velozmente. Sabia que, desta vez, era pra valer. Seguro que se entregaria à possibilidade, à vontade, ao desejo e ao sonho que não era mais sonho __ Neste instante, realidade. Não era nada antes e nada depois. Um niilismo vivente. Agora é o tudo, condensado num só momento de sua vida mensurada.  O agora. Este agora tudo continha e detinha. Era para ele, tudo o que quisera a vida inteira. Longa vida de curtos trinta anos. Vivera sua vida até aqui, vasculhando e descobrindo no mundo as qualidades e as quantidades do seu desejo. Não tivera sorte até então.
Agora, ele não precisava de sorte. Não é mais preciso desejar, nem sonhar. Seu drama não é mais um monólogo. Escreveu um personagem para dividir com ele uma bela história. Não é mais sozinho num roteiro seu. Sabe criar alegrias e amores para dividi-los no palco e assim, ir ensaiando a vida.
Não precisa pedir. Só receber, o que passou a vida toda a mendigar. E ele sabe que merece. Veio no tamanho exato de seu sonho; só lhe resta acolher e perecer a doce e inútil vida de um sonho realizado. Ele quer e está pronto. É a hora de voltar a ter asas. E para que você me acompanhe neste relato e comemore esta estória feliz de anjos quebrados, conto-a do começo; do seu alfa. Descrevo sua gênesis criadora.
No começo era noite. Não trevas. Noite e, por enquanto, sem estrelas. Não havia luz. O lugar parecia sem vida, mas, qualquer um que olhasse com mais cuidado, o que requer um olhar oriental sobre as coisas, notaria que ali pulsava a vida. O ato inaugural estava inserido num grande e fétido cenário. Uma arquitetura velha, mal preservada, envelhecida pela falta de amigos e suja de uma sujeira humana e bela.
Aliás, sujidades não faltavam. Nem no chão, nem no ar, nem na cabeça dos passantes, na mala dos viajantes e claro, nos corações dos ficantes. “Sujeira moral” diziam os da seita evangélica que, aos berros, do outro lado da rua, cantavam seus hinos pedindo salvação aos arrependidos de toda sujeira, graxa e lama, a um Deus surdo. Cegos, coitados, adorando um deus que não ouve. Não enxergavam os anjos quebrados do lado de cá da rua. Chão-calçada que não ousam pisar, temendo a repressão do pastor e do seu deus que não era bom. Não sabem ainda, que não é preciso morrer para encontrarem a salvação e sim, atravessar a rua, vivos, em direção ao outro, ao sujo, ao imoral e ao pecado.
Enquanto esses não atravessam a rua, continuemos, eu e você, neste lugar onde o improvável aconteceu. O lugar é dos passantes, como toda e qualquer rodoviária deste país. Levando esta, a fama de a mais feia de todas as outras. É realmente sem beleza; sem atrativos. Contudo, o que a faz tão repugnante é o que a torna humanamente interessante. É com toda certeza, um espaço plural. Um céu de anjos quebrados.
Além das famílias que embarcam e desembarcam todos os dias, e noites, nas suas plataformas em direção ao interior ou à fronteira, tem os que chegam e ficam. São mulheres que, de tão feias e tristes, barrigas e corações grandes, são sim, lindas e belas. Atraentes aos olhares e baratas para os bolsos dos passantes. Elas chegam à busca do dinheiro para compra do remédio controlado do filho mais novo e para o aluguel de um cômodo, sem banheiro, onde deixou a mãe, agora avó, voltar a brincar de ser mãe. Ninguém sabe seu segredo. Só os homens desse lugar sujo, cúmplices dum segredo familiar.
Não faltam os bêbados. São muitos, mas, são os mesmos. Se os ouvir, saberá que não são bêbados, mas são João, Alberto, Souza, Garcia; com histórias e vida vivida mais dignas de serem publicadas do que esta que vou lhes contando. Pedem dinheiro pro café e você dá a moeda pra pinga. Não há como negar. São solitários cheios de fantasmas.
Andam por lá também, jovens magros e envelhecidos, tentando salvar suas vidas usando substâncias que trazem a morte. Viciados traficantes de rua, sem cama para dormir, vão ficando por ali. Passando um fumo aqui, um golpe ali e, no final do dia, quem sabe? Talvez uma marmita fria para esquentar o jovem estômago abandonado.
Nesta região de fronteira não faltam os matadores de aluguel e sua bagagem de poucos calibres. Também os peões de fazenda que vêem gastar o seu pouco salário na capital. Doentes do mato, a procura de cura na cidade. “Bugres” e suas crianças mestiças a mendigar alguma sorte aos turistas gringos com seus mochilões. A fauna neste lugar não carece de espécies e, as que sobrevivem, tão pouco padecem de extinção. A impressão que fica é que nunca acabarão.
Subo a escada com você para apresentar o prédio no seu primeiro e único piso superior. No alto, no ar, bem próximo do céu azul, o que não poderia ser diferente, aonde o encontro dos anjos vai se dar. O lugar abriga os guichês de venda de passagens interestaduais e internacionais. Compra-se ai passagens para as viagens mais distantes e impensáveis. A dele, uma viagem improvável de anjo quebrado, adquire-se num outro guichê, ou melhor, numa bilheteria de cine amor.
Ele aproximou-se com cuidado, como fazem todos, observando para não ser surpreendido por nenhum outro olhar, também cuidadoso, que o visse entrar ali onde, numa tela grande, se ensina o amor. Compra o ingresso, usa uma carteira de estudante antiga __ daquelas muitas vezes em que tentou o diploma universitário __ e obtêm a meia entrada. Gira a catraca com a força do seu quadril, já riste e tensionado pela viagem a seguir. O lugar, como de costume é o mesmo. Grande, pé-direito alto, muitas cadeiras, mas todas vazias, já que ali naquela sala, o melhor é flutuar pelo mar escuro de ácaros e não sentir o cheiro do carpete velho e mofado. Alguns, cansados, encostam-se nas paredes à espera de um anjo, caído quem sabe, a abraçar-lhes ou dar-lhes novas asas para voar no céu do paredão.
Voltar a voar. Era só o que desejava naquele lugar, naquele dia, respirando aquele ar. Que alguém lhe desse asas para alcançar o céu dos seus sonhos realizando fantasias impronunciáveis. Movimentou-se de um lado ao outro do paredão, como quem busca o ar, tropeçando num e noutro, propositalmente sedutor. Usava muito bem as mãos para enxergar naquele lugar sem luz.
Derrepente fez-se a luz. Uma luz indireta que vinha do alto. E a luz era viva. Uma vida que não pertencia a ele, nem a ninguém ali. Vida não vivida e pouco assistida por aqueles. Ninguém estava naquela viagem para sentir o pulsar da vida, em gemidos, sussurros e orgasmos fingidos na grande tela.
“__ Opa. Desculpa.” Pediu ele ao tropeçar no outro. A resposta veio firme, numa pegada que o fez lembrar-se do que o trouxera aquele lugar. Seu membro encarnado irrigou por todo o seu corpo o sonho em sangue tornado tesão. O corpo do outro, já colado no seu, dizia pornografias românticas, muito parecidas com aquelas ditas por bocas ensaiadas, em filmes que contam amores afundados em titanics. Mas ele não assistiu ao filme, era anjo, e por isso acreditou. Não duvidou. Sentia o pescoço sendo beijado e mãos grandes que dançavam pegadas firmes na sua cintura. O outro, não tinha asas; não era anjo, mas, oferecia a viagem esperada. E como este não é um conto erótico, deixo que sua experiência o faça saber o que aconteceu naqueles próximos trinta e três minutos.
O gozo. Continuo daqui. Era assustador o quanto aquilo tinha dado certo. Era perfeito demais para aquele lugar. E foi tanto amor e prazer que choraram juntos lágrimas que, ao rolarem de seus olhos, outrora tristes, cristalizavam formando estrelas. Tanto choraram que a sala escura foi iluminada por uma constelação. Era o universo inteiro ali, naquele instante, comprimido dentro de uma sala velha de cinema. Estrelas de todos os tamanhos e cores. Brilhavam, mas brilharam tanto que todas as testemunhas ali presentes cegaram diante do amor que não era encenado. Não estavam preparados para ver o amor acontecer naquele lugar improvável. Sem testemunhas. Ninguém acreditaria. Só ele sabia que, de verdade, o amor acontecera. Ele e o outro, que não era anjo, não tinha asas, mas trazia escondido sob o zíper da calça, o amor.
Quando saíram dali, juntos para sempre, ele soube que não precisava mais ter asas e que, portanto, não era mais anjo; agora um decaído. Contudo, juntos para sempre. Não queriam mais se separar. Morreriam caso um faltasse ao outro. Um respira o ar do outro. Respiram juntos agora, gêmeos de poesias futuras.
Depois de alguns dias trancados, juntos, num quarto qualquer, não saberiam dizer quantos, um deles teve que trabalhar. A vida é real e não apóia feriados de amor. Mas estavam certos de que eram agora um do outro. Ele, do trabalho, quis ligar e dizer aquilo que todos os apaixonados dizem quando apaixonados estão e que eles, olhem só, de tão apaixonados não tinham dito ainda. Não se viam; somente a voz que na mágica fibra óptica declara o seu amor.
“__ Alô?”
“__Eu amo você.”
“__Vem logo pra casa. Me diz aqui, me abraçando, isso que eu também vou te dizer: eu também amo muito você.”
“__Estou indo.”
“__Estou te esperando, pra nunca mais você sair da minha vida.”
Ah... A vida desses dois mudaria para sempre e essa saudade já sentida no primeiro dia em que passaram longe um do outro, acabaria daqui a pouco, no final do expediente deste, que voltaria a casa do outro, que agora é sua também, porque juntos, sabiam, para sempre estariam.
Juntos para sempre. Era esse o pensamento dele naquela volta desesperada ao ar que lhe faltava. Do outro, acabara de ouvir que, o esperava para nunca mais deixá-lo. A volta foi longa. O suficiente para rememorar suas muitas tentativas frustradas até aqui. Suficiente ainda para esquecê-las. Seus passos apressavam-se a cada esquina. As ruas do centro, àquela hora da noite eram já vazias, sem pedestres. Ninguém que o tirasse dos seus pensamentos e planos pro futuro. Tudo o que pensava, incluía o outro, que lhe dera asas novamente.
Perdido em seus pensamentos encontrou-se de frente ao número do seu novo endereço. A casa não tinha campainha. Então, chamou pelo nome do outro, que não ouviu. Tentou novamente. Nada. Um pouco de angústia. Chamou novamente para passar a angústia. Escutou então o barulho de portão sendo aberto a duas casas dali. Gritou então, pela terceira vez, ao outro; que ouviu, mas procurava as chaves. Do portão que se abriu a poucos metros dali, viu sair três grandes cães, sem coleiras e nervosos para o passeio noturno com seu dono irresponsável. Uma bicha de marca, tipo pouco cérebro e muita, mas muita massa muscular; num shortinho escroto e provocante. Os cães ferozmente avançaram em direção a ele, que gritou por socorro ao outro, que ouviu, mas, não encontrou as chaves que abriam o portão (que o levaria de volta ao céu). Desesperado, gritava pela grade e, quanto mais gritava, mais era atacado pelos cães ferozes. O outro, do lado de dentro da grade, nada pode fazer. Ele do lado de fora, caído na calçada e emoldurado por uma poça de sangue, não tinha mais vida, não tinha mais amor, era sangue escorrendo em rios. Voltara a ser anjo. Morrera gritando pelo outro que por não ter as chaves ao alcance das mãos, deixou que ele voltasse a sonhar sua vida de anjo.
Os assassinos, indiciados no inquérito, eram três. Grandes, de cor branca e manchas amarelas e da raça Pit Bull. No momento do crime, estavam sem coleiras. O animal responsável pelos criminosos chamava-os de “minhas crianças” e jurava feroz, de dentro do seu shortinho, que eram dóceis e atendiam pelos nomes miguel, rafael e gabriel.





Conto premiado no concurso literário da Academia Sul-Mato-grossense de Letras em 2010 

o iluminado




o iluminado - 1980



filme de stanley kubric

o iluminado


"... sangue escorrendo em rios (...)"


"mapa-mundi" thiago pethit

"essa canção francesa" thiago pethit e tiê

y y y y y y y y y y y y y y y y y y y y ....................



"janta" 

marcelo camelo e mallu magalhães

2001 Uma Odisséia no Espaço





"plástico bolha" - karina buhr e teresa cristina

"cara palavra" de karina buhr

karina buhr



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

moro

It's a long way



música do disco 
Transa
de caetano veloso

mora na filosofia


mora na filosofia
música de caetano veloso 
disco Transa de 1972

marie antoinette



parque de diversões

 


                     "(...) Decerto, mesmo que a história fosse julgada incapaz de outros serviços, restaria dizer, a seu favor, que ela entretém. Ou, para ser mais exato __ pois cada um busca seus passatempos onde mais lhe agrada __, assim parece, incontestavelmente, para um grande . número de homens. Pessoalmente, do mais remoto que me lembre, ela sempre me pareceu divertida. Como todos os historiadores, eu penso. Sem o quê, por quais razões teriam escolhido esse ofício? Aos olhos de qualquer um que não seja um tolo completo, com quatro letras, todas as ciências são interessantes. Mas todo cientista só encontra uma única cuja a prática o diverte. Descobri-la para a ela se dedicar é propriamente o que se chama vocação."

Marc Bloch   in     "A Apologia da História ou o Ofício do Historiador"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

macunaíma 1969



filme de joaquim pedro de andrade

Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual em Campo Grande


Campo Grande sedia festival nacional de cinema da diversidade

Durante três dias o público poderá assistir a 14 filmes, de graça, e participar
de debates sobre cultura, comportamento e tolerância sexual


Pela primeira vez, a Capital de Mato Grosso do Sul entra para o calendário nacional do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, trazendo os mais premiados filmes na 18ª edição. O Festival será realizado nos dias 9, 10 e 11 de setembro, no Museu da Imagem e do Som – MIS com a exibição de 14 filmes entre curtas e longas-metragens, além de debates e mesa redonda sobre cultura, mercado e militância.
O objetivo do Festival, segundo o organizador local, Leandro Marques, é promover o acesso à sétima arte a partir de roteiros atuais.  “As pessoas daqui gostam de cinema e gostam de cultura, é uma pena termos perdido o Festival de Cinema de Campo Grande e o Cinecultura, dois totens do cinema Cult e alternativo. Nossa proposta em trazer esse Festival Nacional para o Estado é, primeiramente inserir Campo Grande em um contexto macro, já que temos produção cinematográfica local e, também oferecer à população o acesso a filmes que estão fora do circuito comercial, mas possuem toda uma linguagem e uma carga de roteiro muito interessante”, explica Leandro.
Há 18 anos o Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual utiliza a sétima arte para abordar temas polêmicos como homofobia, tolerância, afetividade e sexualidade. Sem a proposta de fazer apologias, conduz o participante a uma visão mais amplificada sobre a sociedade atual, refletindo nos reais valores, conceitos e preconceitos, a partir da abordagem direta, ousada, polêmica, mas nada hipócrita apresentada nos filmes.
Na programação, o participante irá se surpreender com atores globais como Ana Paula Arósio e Murilo Rosa em personagens gays no longa Como Esquecer, de Malu Martino. Irá acompanhar depoimentos e entrevistas com celebridades nacionais e internacionais como Liza Minnelli, Ney Matogrosso, Nelson Mota e Cláudia Raia, no documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, Dzi Croquettes. Assistir a produção regional Lados Dados, dirigido por Breno Benetti, que foi rodado em Mato Grosso do Sul, como também ter acesso a diferentes óticas sobre a temática GLS em filmes brasileiros e estrangeiros.

Confira a Programação:

9 DE SETEMBRO – SEXTA
18h – LADOS DADOS  (estréia curta regional)
19h – ABERTURA FESTIVAL
20h – DZI CROQUETTES
22h – DEBATE CONVIDADOS

10 DE SETEMBRO – SÁBADO
17h – MOSTRA COMPETITIVA I (Curtas)
· Eu não quero voltar sozinho,
· Handebol,
· Eu e o cara da piscina,
· Aviário,
· Luz
19h – PALESTRA/DEBATE
21h – SEXY BOYZ

11 DE SETEMBRO – DOMINGO
17h – MOSTRA COMPETITIVA II (Curtas)
· Bailão
· O capitão chamava carlos
· Não me deixe em casa
· O bolo
· Mais ou menos
19h – PALESTRA/DEBATE
20h – COMO ESQUECER


Serviço

18ª Edição do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual

Dias: 09, 10 e 11 de Setembro
Horários: sexta a partir das 18 horas, sábado e domingo a partir das 17 horas.
Local: MIS - Museu da Imagem e do Som.  Av. Fernando Corrêa da Costa, 559 – 3º andar. Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul.
Ingresso: entrada GRATUITA (maiores de 18 anos) assentos limitados
Veja os trailers e sinopses no site: www.f5coletivo.com.br
Realização: Leandro Marques | Organização: F5 Coletivo | Apoio Cultural: Taxi – MIS – Fundação de Cultura de MS – Governo do Estado – Fundac – Prefeitura de Campo Grande

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

mau humor crônico é doença e exige tratamento





KARINA KLINGER
free-lance para a Folha

Mau humor pode ser doença --e grave! Um transtorno mental que se manifesta por meio de uma rabugice que parece eterna. Lembra muito o estado de espírito do Hardy Har Har, a hiena de desenho animado famosa por viver resmungando "Oh dia, oh céu, oh vida, oh azar".

Distimia é o nome dessa doença. Reconhecida pela medicina nos anos 80, é uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. "Enquanto a pessoa com depressão grave fica paralisada, quem tem distimia continua tocando a vida, mas está sempre reclamando", diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas (HC).

O distímico só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria. "Não fica feliz, porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro", diz o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Se você conhece alguém assim, abra os olhos da pessoa, porque raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. "Para a maioria dos pacientes, o mau humor constante é um traço de sua personalidade. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor, o que inclui o tempo, o chefe ou a sogra, por exemplo", diz Nardi.

O bancário João (nome fictício), 40, diagnosticado oito anos atrás, confirma: "Eu achava que era algo que vinha desde a infância, que fazia parte da minha educação. Quando o médico disse o que eu tinha, foi como tirar um peso das costas".

Dele e da mulher também, a secretária Helena (nome fictício). "Ele sempre arranjava algum motivo para reclamar. A torneira da cozinha quebrava, e ele via aquilo como se fosse o fim do mundo. Eu vivia em tensão. Fazia de tudo para poupá-lo do dia-a-dia, mesmo assim ele encontrava algo para reclamar", conta ela. A situação piorou quando a intolerância passou a mirar os filhos. "Fomos procurar ajuda, mas demorou anos para alguém acertar o diagnóstico."

Esse transtorno mental atinge, pelo menos, 180 milhões de pessoas no mundo, que, quando não tratadas, tendem a se isolar. "Levantar da cama era um martírio. No chuveiro, já começava a me angustiar. Pensava nas horas em que ia ficar na marginal, no papo monótono dos colegas de trabalho e no dia que vinha pela frente, cheio de decepções. Nada tinha graça", conta a executiva Fernanda (nome fictício), 37.
A doença não deve ser subestimada, pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. "Sem contar que também pode levar as pessoas ao consumo de álcool ou outras drogas, pois elas se iludem achando que assim acabam com a irritação", alerta Nardi.

O mau humor é herdado e, em geral, manifesta-se na adolescência, desencadeado por um acontecimento marcante. Porém, como essa fase da vida já é, de modo geral, conturbada, há dificuldade de identificar a doença.

Aliás, quem tem distimia costuma procurar ajuda só quando ela já evoluiu para um quadro depressivo grave. "O desconhecimento prevalece nos primeiros anos. Essas pessoas aprendem a funcionar irritadas. Acham que, por ser um traço de personalidade, o problema é imutável. Um erro freqüente", alerta Bernik.

Foi o caso de Maria Lucia (nome fictício), funcionária pública, que descobriu a distimia quando foi procurar ajuda psiquiátrica, há três anos. "Eu pensava que era depressão, não sabia da existência do transtorno. Sempre desconfiei do meu comportamento. Era conhecida por dar shows de mau humor, falar alto, ofender as pessoas; meu marido tinha até medo de mim", diz ela.

Maria, 53, tem certeza de que a sua doença é de família. "Minha mãe e minhas irmãs têm o mesmo problema. Recentemente, conversando com seus maridos, cheguei à conclusão de que a impaciência é uma característica familiar. Minha irmã caçula, aliás, já está procurando ajuda", conta.

O mau humor patológico não precisa ser eterno. "Poucos sabem que a distimia pode ser tratada com a ajuda de medicamentos antidepressivos associados à terapia, cuja base é a psicologia cognitiva", diz o psiquiatra José Alberto Del Porto, da Unifesp.

Segundo a psicóloga Mariângela Gentil Savoia, que atende distímicos no HC, a terapia leva o paciente a vivenciar suas aflições. "O objetivo é ensinar uma nova forma de pensamento. Se ele não suporta sair de casa, sintoma comum na distimia, forçamos os passeios. A idéia é que ele aprenda a sentir prazer novamente", diz Savoia.

Já as causas, como ocorre na depressão, estão em um possível desequilíbrio químico que envolve uma série de neurotransmissores em regiões do cérebro que comandam o humor, como o sistema límbico, o hipotálamo e o lobo frontal. "Daí a eficácia dos antidepressivos, cuja função é restabelecer esse equilíbrio químico", diz o psiquiatra Diogo Lara, da PUC-RS.

Para certificar-se de que a rabugice é mesmo patológica, os sintomas devem persistir por, no mínimo, dois anos. Se a pessoa for mulher, as chances de haver distimia dobram --a variação hormonal do organismo feminino explica a desvantagem.

E, se o mau humor patológico tem remédio, o mau humor "natural" também. Vários fatores interferem no humor. O cheiro, por exemplo, que é capaz de abrir o sorriso no rosto de um trombudo. E mais: ao contrário do que se pensa, o humor melhora com a idade!

Diagnosticado: é Distimia !!!


Características / Diagnóstico
Os traços essenciais da distimia são o estado depressivo leve e prolongado, além de outros sintomas comumente presentes. Pelo critério norte americano são necessários dois anos de período contínuo predominantemente depressivo para os adultos e um ano para as crianças sendo que para elas o humor pode ser irritável ao invés de depressivo. Para o diagnóstico da distimia é necessário antes excluir fases de exaltação do humor como a mania ou a hipomania, assim como a depressão maior. Causas externas também anulam o diagnóstico como as depressões causadas por substâncias exógenas. Durante essa fase de dois anos o paciente não deverá ter passado por um período superior a dois meses sem os sintomas depressivos. Para preencher o diagnóstico de depressão os pacientes além do sentimento de tristeza prolongado precisam apresentar dois dos seguintes sintomas:

  • Falta de apetite ou apetite em excesso
  • Insônia ou hipersonia
  • Falta de energia ou fadiga
  • Baixa da auto-estima
  • Dificuldade de concentrar-se ou tomar decisões
  • Sentimento de falta de esperança

Características associadas
Estudos mostram que o sentimento de inadequação e desconforto é muito comum, a generalizada perda de prazer ou interesse também, e o isolamento social manifestado por querer ficar só em casa, sem receber visitas ou atender ao telefone nas fases piores são constantes. Esses pacientes reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social, mas não conseguem controlar. Geralmente os parentes exigem dos pacientes uma mudança positiva, mas isso não é possível para quem está deprimido, não pelas próprias forças. A irritabilidade com tudo e impaciência são sintomas freqüentes e incomodam ao próprio paciente. A capacidade produtiva fica prejudicada bem como a agilidade mental. Assim como na depressão, na distimia também há alteração do apetite, do sono e menos freqüentemente da psicomotricidade.
O fato de uma pessoa ter distimia não impede que ela desenvolva depressão: nesses casos denominamos a ocorrência de depressão dupla e quando acontece o paciente procura muitas vezes pela primeira vez o psiquiatra. Como a distimia não é suficiente para impedir o rendimento, apenas prejudicando-o, as pessoas não costumam ir ao médico, mas quando não conseguem fazer mais nada direito, vão ao médico e descobrem que têm distimia também.
Os pacientes que sofreram de distimia desde a infância ou adolescência tendem a acreditar que esse estado de humor é natural deles, faz parte do seu jeito de ser e por isso não procuram um médico, afinal, conseguem viver quase normalmente.


Idade
O início da distimia pode ocorrer na infância caracterizando-a por uma fase anormal. O próprio paciente descreve-se como uma criança diferente, brigona, mal humorada e sempre rejeitada pelos coleginhas. Nessa fase a incidência se dá igualmente em ambos os sexos. A distimia é sub-dividida em precoce e tardia, precoce quando iniciada antes dos 21 anos de idade e partia após isso. Os estudos até o momento mostram que o tipo precoce é mais freqüente que o tardio. Por outro lado estudos com pessoas acima de 60 anos de idade mostram que a prevalência da distimia nessa faixa etária é alta, sendo maior nas mulheres. Os homens apresentam uma freqüência de 17,2% de distimia enquanto as mulheres apresentam uma prevalência de 22,9%. Outro estudo também com pessoas acima de 60 anos de idade mostrou que a idade média de início da distimia foi de 55,4 anos de idade e o tempo médio de duração da distimia de 12,5 anos.
A comparação da distimia em pessoas com mais de 60 anos e entre 18 e 59 anos revelou poucas diferenças, os sintomas mais comuns são basicamente os mesmos. Os mais velhos apresentaram mais queixas físicas enquanto os mais novos mais queixas mentais.


Curso
A distimia começa sempre de forma muito gradual, nem um psiquiatra poderá ter certeza se um paciente está ou não adquirindo distimia. O diagnóstico preciso só pode ser feito depois que o problema está instalado. O próprio paciente tem dificuldade para determinar quando seu problema começou, a imprecisão gira em torno de meses a anos. Como na maioria das vezes a distimia começa no início da idade adulta a maioria dos pacientes tende a julgar que seu problema é constitucional, ou seja, faz parte do seu ser e não que possa ser um transtorno mental, tratável. Os estudos e os livros não falam a respeito de remissão espontânea. Isso tanto é devido a poucas pesquisas na área, como a provável não remissão. Por enquanto as informações nos levam a crer que a distimia tenda a permanecer indefinidamente nos pacientes quando não tratada.


então toma

enquanto isso... quanta gente... quanta fome... quanta terra ?

"me deixa gozar... me deixa gozar"


"Não enche" caetano veloso no show 
prenda minha

emicida "rua augusta"

flora matos "pretin"

thiago petit

alexander !



é isso aí meu camaradinha... é grana na mão !


cena única de sônia braga
com paulo cesar peréio
no filme
eu te amo (1981)
do meu camaradinha

...


arnaldo jabor

com o coração na mão


paulo cesar pereio e vera fisher no filme
eu te amo
de arnaldo jabor

hoje amanheci de salto alto. desejo um tapete de gente para pisar !






aparece uma revoada de dragões sem cabeça

Meu Deus ! Ainda acreditam que é o nome exposto em letras garrafais
o que alegra o artista... coitados, não sabem o que falam e fazem...




Tu Mestre, por acaso pediu em tua cruz a placa com a inscrição:
Jesus de Nazaré Rei da Judéia


(...)



Não percebes que Maria escolheu a melhor parte?


eu sou a obra...
eu sou co-criador
de minhas criaturas


nada mais significa
nada mais
nada


criatura e criador
engolidos
e devorados
por suas línguas
mansas e molhadas


e a salsa ardente
queima
pula
em saltitante fogueira:
"Eu sou o que Sou"



um cavalo jovem

Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim é cada vez mais essencial e
verdadeiro.


Essa morte constante das coisas é o que mais dói.


Pelo menos
estou vivo.
Em movimento,
andando por aí, perdendo ou ganhando, levando porrada,
passando fome,
tentando amar.
"de cada luta ou repouso me levantarei forte
como um cavalo jovem",
onde foi que li isso?
sei: Clarice Lispector, meu Deus, foi em Perto do Coração Selvagem.
"aparece uma revoada de dragões sem cabeça."


I CHING, O Livro das Mutações, consultado no dia cinco de maio de 2011... ainda em Corumbá. Mais precisamente, sobre a ponte quebrada sob o rio Paraguai... na margem direita do rio.

"por que publicar o que não presta? Porque o que presta
também não presta. Além do mais,
o que obviamente não presta sempre me interessou muito.
Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que
desajeitadamente
tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."


Clarice Lispector : A Legião Estrangeira

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ainda sobre a estória (não-história) de muhpanzinho...


agora, segundo Marc Bloch in: "Apologia da História ou o Ofício do Historiador"


prefácio de Jacques Le Goff

"Entrar no teor deste livro é portanto grave. Trata-se de um tema sério, abordado em uma situação dramática. No entanto, Marc Bloch logo reencontra e repete uma das virtudes da história: "ela distrai". Antes do desejo de conhecimento, ela é estimulada pelo "simples gosto". E eis reabilitados, num lugar decerto marginal, limitado, a curiosidade e o romance histórico colocados a serviço da história.(...)

É preciso, portanto, para fazer a boa história, para ensiná-la, para fazê-la ser amada, não esquecer que, ao lado de suas "necessárias austeridades", a história "tem seus gozos estéticos próprios". Do mesmo modo, ao lado do necessário rigor ligado à erudição e à investigação dos mecanismos históricos, existe a "volúpia de apreender coisas singulares"; daí esse conselho, que me parece também muito benvindo ainda hoje: "Evitemos retirar de nossa ciência (histórica) sua parte de poesia".

Escutemos bem Marc Bloch. Ele não diz: a história é uma arte, a história é literatura. Frisa: a história é uma ciência, mas uma ciência que tem como uma de suas características, o que pode significar sua fraqueza mas também sua virtude, ser poética, pois não pode ser reduzida a abstrações, a leis, a estruturas."